Nikita

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Nadador, você sabe treinar?

Poderíamos definir treinar como “a forma de comportamento necessária para, através de exercícios e atitudes, atingir-se a melhor perfomance em uma atividade”.

Performance seria o melhor rendimento, individual ou coletivo, apresentado em uma competição ou avaliação.

Para se atingir a performance na natação é necessário a soma de diversos requisitos:

1 – Talento (medido em diversos “níveis”);
2 – Um técnico competente;
3 – Uma boa técnica de estilo;
4 – Condição física específica;
5 – Saúde, e;
6 – Mentalidade.

Temos visto alguns nadadores atingirem uma boa performance embora não tivessem alguns dos requisitos acima. Naturalmente isto fica restrito àqueles que têm um excepcional talento. Mesmo para estes, conseguir uma excelente performance (recorde mundial, por exemplo), tornar-se indispensável todos os requisitos citados acima.

Um nadador não conseguiria atingir um alto nível, desrespeitando as leis físicas, fisiológicas e psicológicas, responsáveis pela técnica dos estilos, condição física e saúde e pelo comportamento, na competição, dentro e fora dos treinos, ou seja, a mentalidade, força de vontade, perseverança, etc.

A função do técnico é orientar técnica, tática, fisiológica e psicologicamente, bem como, coordenar, manter a disciplina e as condições de treinamento.
Por melhor que ele seja, não poderá fazê-lo nadar certo ou treinar bem se você não quiser ou não tiver talento.

Ao nadador menos talentoso caberá apresentar-se com dignidade, ou seja, através de muito esforço e dedicação aos treinos, conseguir o melhor, permitido pelo seu nível de talento.

Um clube precisa de uma equipe grande e de “miolo” para ganhar competições. Um técnico inteligente sabe que para progredir, tornar-se conhecido nacional e internacionalmente, precisa, além de ganhar competições, ter nadadores de alto nível em sua equipe.
Faz parte do talento, ser inteligente. Um nadador inteligente, entre outras vantagens, sabe o que quer, interessa-se pelo seu desempenho, valoriza o que faz. Ele procura marcar todos os seus tempos e os sabe de cor nas diversas distâncias e estilos, seja de perna, braço ou completo. Ele sabe também que o objetivo do técnico é ajudá-lo a melhorar estes tempos.

Um nadador interessado pode contribuir com seu próprio treinamento, conversando com o técnico, trocando idéias, comentando seu desempenho e desta forma, fornecer subsídios (feedback) ao seu técnico. Este por sua vez não deverá desprezar estes “feedbacks” porque eles representam uma resposta ao seu trabalho, podendo ser utilizadas para aprimorar o desempenho. Agindo assim, ambos estariam contribuindo para um melhor resultado.

ALGUMAS DICAS PARA UMA GRANDE PERFORMANCE

1 – Muitos nadadores “vão aos treinos” duas vezes por dia, porém poucos treinam realmente uma vez por dia. Valorize seu trabalho, não fique nadando à toa. Procure treinar como recomenda seu técnico.

Um treino bem planejado divide-se em várias partes, nas quais você é orientado para nadar em diversas velocidades. Por isto são determinados os tempos, intervalos e distâncias que se deve fazer. Cada percentual (80, 90, 100%), ou pulsação por minuto, recomendado pelo técnico, tem um objetivo diferente, de acordo com o que ele planejou. Se você resolver fazer diferente, à sua maneira, corre o risco de fazer justamente o contra-indicado pela fisiologia do esforço e, conseqüentemente, prejudicar-se. O mesmo poderá acontecer quando você interfere no planejamento do técnico, faltando uma ou mais sessões de treinamento.

2 – Em caso de dúvidas quanto à orientação do técnico, converse com ele, exponha sua opinião, porém seja coerente. Se você não entende do assunto, confie em quem tem mais experiência. Se ainda assim a dúvida permanece, dificilmente vocês (o nadador e o técnico) poderão chegar às grandes performances.

3 – A capacidade humana em adaptar-se às novas situações é muito grande. Não se conforme em repetir o mesmo treino – com os mesmos tempos – por semanas e meses. Aquela repetição que o fez melhorar hoje, certamente não será suficiente duas ou três semanas após. Se você não conseguiu melhorar nos treinos, como pode pretender fazê-lo na competição?

4 – Competir também é treinar. As situações de treino e competição são diferentes. As grandes performances exigem experiência em competições, de todos os níveis.

5 – Procure analisar-se dentro d’água. Compare seus tempos com a pulsação no momento da chegada. A elevação desta deve corresponder uma melhora no tempo. Caso contrário você poderá estar “brigando com a água”, realizando movimentos desnecessários ou, uma técnica errada. A repetição destes erros por algum tempo poderá levar a uma “automatização” irreversível, com uma conseqüente piora dos tempos. Outras razões para a pulsação alta em relação aos tempos feitos seriam patológicas (doenças) ou estresses diversos, como falta de repouso entre os treinos, má alimentação, medicamentos, tensões psicológicas, etc.. As meninas no período pré-menstrual também têm uma elevação da frequência cardíaca com o mesmo esforço e com pioras nos tempos alcançados.

6 – Independente da especialização do nadador – velocista, meio-fundista ou fundista – ele necessitará sempre de uma grande “quilometragem” (experiência do nado expressa na quantidade de quilômetros nadados desde a iniciação, através de vários anos) para atingir uma excelente performance. Naturalmente, o fundista precisará mais que o meio-fundista, e este mais que o velocista, porém a coordenação refinada pela melhor aplicação da técnica é resultante desta experiência. Isto explica, em parte, porque as crianças e os iniciantes em geral, nadam “descoordenados”.

7 – Procurem atualizar-se, sabendo os tempos dos adversários em todos os níveis, bem como o que eles estão fazendo, porém não se deixe impressionar negativamente. Confie sempre em você e no seu técnico.

8 – Anote em uma agenda tudo o que diz respeito aos seus treinos como, por exemplo, pulso máximo nas séries – pulso basal – melhores tempos nos treinos e nas competições – média dos tempos nas séries, distâncias nadadas por sessão, dia, semana, mês e ano – fatores diversos que interfiram no melhor ou pior rendimento. Isto ajudará a manter um bom nível de motivação.

Nikita

(Este artigo foi publicado originalmente em novembro de 1983, no jornal Aquática)

 

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